domingo, 26 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
0,25mg
Nutre
É feito dar energia para o corpo que o amor nos nutre, amor dos bons, de perna bamba e serenata. Amor antigo, amor amigo, que embala, que tonteia.
Ora Maria logo você, morena faceira, daquela que num planta o pé num lugar certo, num amarra a rede e nem sossega o facho. Logo você encantada por José, carinhosamente chamado de Zé. Maria seguiu suspirando amor e brotando elogios pelas terras quentes de sua jornada. Mas tu Maria que tantos problemas tens agora só sussurra Zé ?! O que Zé tem que te desassossega tanto?
Zé é mistura de coisa boa, é manteiga no pão quentinho, é fogueira no frio, Zé tanto erra, mas é benevolente, é estrada pra ser seguida, exemplo pra ser contado. Com tantos defeitos que amá-lo é bom. É vontade de ter filho de tuia e de cheiro no cangote pra arrepiar.
Zé é árvore frondosa de frutos bons e flores belas, é ser livre na chuva, é beijo demorado.
Zé é 0,25 mg tomado em dose dupla pra dormir o sono dos bons.
Zé é acordar no outro dia e ter a página em branco.
Zé é o sussurro de Maria que não é de prazer, mas é de pesares, era a perda do bom que nunca foi.
Era mais um dia de 0,25 pra acalmar o facho.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Espera
Apesar de não querer reclamar de barriga cheia, ela tava se queixando sim da falta de sorte que insistia em teimar que tinha.
Claro que sua maré de azar não era completa, porém todos os seus patuás não a deixavam imune ao tanto que ela precisava.
Era daquelas que num conjunto de mil pessoas molegando algo ele quebraria sim na sua mão. E ela colocaria cara de culpa, antes mesmo que alguém a culpasse.
Se empenhava ao máximo para deixar longe de si tais influencias pesadas, mas parecia imã que mesmo sem querer atrai.
Não entendia já que fazia parte do lado de bem, que se empenha pelo que ou quem gosta, mas também não reclamava. Às vezes até balançava pelas pancadas que levava, mas logo se punha de pé, forte como tinha que ser.
O ruim nisso tudo era o desapontamento, nas coisas e pessoas. E para tal difícil era repor credibilidade.
Acreditar que tempos melhores virão era sua repetição quase que diária. Sabia que merecia coisas boas. Que mesmo sendo dona de graves erros, nenhum deles abalariam seu merecimento. Até porque tão cedo começou sua história de luta. Mesmo sendo sempre taxada de mimada, por traz da carinha doce de menina existia uma vida que não se enquadrava no padrão de mimo da natureza humana. Mas claro, preferia ficar com seus fantasmas (alguns) só para si.
E nas horas que o peso era demais o corpo reagia. A excitação se tornava enorme a energia tamanhamente inacreditável, não cansava, não parava, nem o corpo nem a mente. A angustia existente a maltratava assim, parecia querer se mostrar presente por horas a fio.
Fechou os olhos e pensou na frase que há alguns dias lhe acompanhava, era de um filme que gosta. Repetiu baixinho: a vida é sobre o quanto você consegue apanhar e continuar seguindo em frente. Quanto você pode tomar e continuar avançando. É como a vitória é feita.
Esboçou um sorriso e foi descansar o corpo (talvez conseguisse).
Aguardaria sabiamente a sua vez.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Tentativas em vão
Sabia que tinha uma missão difícil, para muitas quase impossível, agradar quem não se permitia ser agradado, nem agradável.
Tentou, usou aquilo como fonte de inspiração para diversas mudanças, muitas delas criticadas pelo próprio bicho-papão, ou bobão, quem sabe.
Começou mudando o jeito, pelo menos de como era com ele, uma vez sabe-se lá por que não conseguia 100% de naturalidade. Diminuiu o cabelo, abriu o sorriso, soltou palavras, fez cara de braba (embora não fosse), subiu no salto (permaneceu nele), malhou, aumento o diâmetro da perna, enrijeceu os músculos, estudou gramática, copiou mil vezes palavras que errava, decorou nome de música, cantou, amadureceu, torno-se muito mais feminina, seduziu (?).
Contudo ainda percebeu que para o moço era pouco, talvez por que não permitiu usar roupas bregas que parecia agradar-lhe, nem fez o papel cuido da inteligência e esqueço da aparência (pois homem quer conteúdo).
Riu! Tornou a rir! Por fim desistiu e saiu.
Foi dançar por aí e seduzir quem realmente queria ser seduzido. Gostou! E percebeu que não eram poucos.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Do Avesso
Um olhar e muitas afinidades detalhadas em um único encontro. Era sim um amor natimorto, igual feto que morre no útero sem poder desfilar sua beleza, morreu antes mesmo de nascer. Tão inexplicável acontecimento, talvez acaso, ou destino ou falta de sorte quem sabe. Um, dois, três dias passaram até que chegaram os meses, reencontro sutil, mais para dar uma explicação, um suspiro e um lamento de ambas as partes. O que causou a morte prematura de um sentimento aparentemente bonito pela reciprocidade foi entendido e perdoado. Seguiram então conversas, brincadeiras, ternuras e desabafos. Um ausente presente. E como tudo que chega forte causa mudanças, com eles não poderia ser diferente. Revirou os olhos, contorceu o corpo, virou do avesso, entendeu que existia um antes e um depois. E aquele momento que a priori lhe pareceu triste, revelou que antes de morrer plantou semente e o fruto viria a partir de agora (sabia ela) muito doce.
domingo, 14 de novembro de 2010
Blá
- Num é de uma banda de forró?
- É!
- Prefiro quando ele diz: não choro por quem me deixa e não abandono quem me quer.
- Pois eu quero que sofra.
- Aff! Que papo mulher desiludida (risos). Já já começa a falar que eles não prestam e que são tudo igual. Nojinho desse papo chato.
- Acho que tou, não quero mais gostar de ninguém.
- Pois eu quero e de muitos.
-Tu não conta. Tens um jeito macho de ser...
- E tou errada? Papo de mulher desiludida é muito foda. No final ela de tanto pegar se apega do mesmo jeito.
- Será?
- Aposto! Pode mentir, mas...
- Mulher é um bicho besta mesmo.
- É por isso que eu digo: ame todos.
- É!
- Prefiro quando ele diz: não choro por quem me deixa e não abandono quem me quer.
- Pois eu quero que sofra.
- Aff! Que papo mulher desiludida (risos). Já já começa a falar que eles não prestam e que são tudo igual. Nojinho desse papo chato.
- Acho que tou, não quero mais gostar de ninguém.
- Pois eu quero e de muitos.
-Tu não conta. Tens um jeito macho de ser...
- E tou errada? Papo de mulher desiludida é muito foda. No final ela de tanto pegar se apega do mesmo jeito.
- Será?
- Aposto! Pode mentir, mas...
- Mulher é um bicho besta mesmo.
- É por isso que eu digo: ame todos.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Apenas mais uma de amor
Desde a adolescência ela dizia ter o que chamava de compulsividade por amar, explicando melhor, a mocinha se apaixonava mais fácil do que qualquer princesa das histórias infantis. Só que entrelaçado ao fácil coração, existia um Q de “cafajeste” no “olhar” da pobre mocinha. E ela usava sabiamente e juntamente com todas as outras letras do alfabeto esse Q a mais. Não era galinhagem nem desapego pelo amado da vez. Respeitava a fidelidade e principalmente a lealdade. Mas conseguia ela compactar cada ser apaixonante em um espaço no seu coração de mãe, mãezona, e um de forma alguma invadia o lugar do outro. Cada qual com suas qualidades atribuídas por ela.
Real que era cultivava suas duas ou no máximo três horas de bode pelo relacionamento não engrenado, mas enxugava as lágrimas, quando tinha, lembrando do novo affair. Que não necessariamente precisava ser novo. E já ia até ele com jeitinho meigo de quem quer colinho.
Com isso claro, a mocinha viveu estórias hilárias, situações de risco, encrenca da grossa, amores bacana e desapegos muito.
Não era fácil administrar tanta gente apaixonante, e pior ainda descartá-los de vez.
Como tudo, tinha lá seu lado bom e ruim, que não deve e nem precisa de explicação.
Mas a mocinha, que caminhava na leveza do seu coração carregado, levava consigo o fato de que amar é se libertar e que as pessoas são realmente apaixonantes, cada um com uma peça impar para completar o jogo: da vida, do amor, ou ego, sabe-se lá.
E ela, não poderia jamais reclamar de não ter se divertido.
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